Bell Hooks: Por uma pedagogia interseccional

“É fundamental diminuir a distância entre o que se diz e o que se faz, de tal forma que, num dado momento, a tua fala seja a tua prática.”

Paulo Freire

Fundamentando-se em sua história de superação pessoal por meio da teoria libertadora, Bell Hooks nos mostra que, na educação quando a nossa experiência de vida está intrinsecamente ligada à teorização, não existe uma separação entre a teoria e a prática. Na teoria como prática libertadora[1], a autora traz a teorização como um processo crítico e reflexivo que pode levar a uma mudança, uma prática, uma cura do indivíduo ou do coletivo, desde que seja direcionada para este fim. Como feminista negra interseccional[2], a escritora reivindica constantemente a teoria dentro do ativismo (tanto na forma escrita, quanto na forma oral) e desenvolve o capítulo propondo centralizar a discussão pedagógica voltando-se para esse movimento sociopolíticoracial.

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Para as mulheres negras ocidentais, lecionar é um ato essencialmente político, contra hegemônico e que possui raízes na luta anti-escravocrata e antissegregacionista. O movimento feminista afro-americano possui um marco importante no sistema educacional porque foram elas que sempre lutaram contra as desigualdades de maneira plural e não dominante. No final da década de 80, a contribuição dessas mulheres para a reconstrução de um feminismo multicultural e crítico a respeito de raça, gênero, classe, orientação sexual e teorias feministas brancas, foi inestimável e alcançou as discussões modernas sobre a pedagogia. E isso é fundamental para compreender a constante preocupação da escritora com a descolonização do conhecimento e seus questionamentos diante da parcialidade das práticas de ensino.

Alicerçada nas obras de Paulo Freire, Hooks acredita que a construção de uma educação humanista – antirracista, antissexista, anti-homofóbica e etc. – que reconheça as peculiaridades do indivíduo e que garanta a voz dos estudantes, é capaz de estimular o senso crítico dos mesmos e avançar para uma prática que liberte as minorias das opressões. Mas para isso, se faz necessário combater os métodos pedagógicos arcaicos, descentralizar o conhecimento teórico e reconhecer a falta de compromisso da academia em aproximar a teoria da prática. A supervalorização da produção acadêmica feminista formulada num ambiente elitista/branco cujas obras escritas por “pessoas de nome”, privilegiadas, muitas vezes, invisibilizam as fontes poucos conhecidas, hierarquizam o debate e não contribuem na prática para o coletivo. Esses “dogmas teóricos” rigorosamente seguidos são paradoxais porque, é inconcebível um desempenho teórico que só pode ser entendido por um círculo mínimo de pessoas e não serve para educar o público. Ou seja, o pensamento inútil, produzido na academia para manter o status quo da classe dominadora intelectual, sem nenhuma pretensão de intervenção prática na realidade social, só será desafiada, segundo a escritora, através da teoria da libertação.

“É evidente que um dos muitos usos da teoria no ambiente acadêmico é a produção de uma hierarquia de classes intelectuais onde as únicas obras consideradas realmente teorias são as altamente abstratas, escritas em jargão, difíceis de ler e com referências obscuras (HOOKS, 1994, 89).”

Segundo a ativista, a criação de um abismo entre a teoria e a prática na academia é intencional porque é esse o artifício utilizado para perpetuar o elitismo intelectual que produz teorias irrelevantes para o todo e promove uma falsa dicotomia entre a teoria e a prática.  Por não se enxergarem dentro dessa hegemonia, muitas mulheres negras tentaram resistir à teorização acreditando apenas que a prática poderia trazer uma solução concreta para a comunidade. Porém, Bell Hooks rebate essa crítica colocando a complexidade do feminismo e do movimento negro como um parâmetro para grandes fenômenos que não se prendem a uma teoria única. Entretanto, em um determinado momento “as mulheres negras perceberam que permanecer calada (sem teorizar) só ajudaria a perpetuar a ideia que podemos engajar sem teoria”, pesando na teoria como algo apenas abstrato, o que na visão da autora é inconcebível.  

“Infinitas vezes, os esforços das mulheres negras para falar, quebrar o silêncio e engajar-se em debates políticos progressistas radicais enfrentam a oposição. Há um elo entre a imposição de silêncio que experimentamos e censura anti-intelectualismo em contextos predominantemente negros que deveriam ser um lugar de apoio (como um espaço onde só há mulheres negras), e aquela imposição de silêncio que ocorre em instituições onde se dizem as mulheres negras e de cor que elas não podem ser plenamente ouvidas ou escutadas porque seus trabalhos não são suficientemente teóricos (HOOKS, 1994, 95).”

Hooks rejeita os formatos acadêmicos tradicionais e inclusive defende que a teoria não acadêmica (como a tradição oral, por exemplo) seja tão valorizada quanto à acadêmica e também concorda na existência da prática sem a teoria. Mas não descarta em hipótese nenhuma a importância da mesma. Por isso ela acredita que os negros, em especial as mulheres negras, precisam teorizar e subverter o feminismo branco, o patriarcado e o racismo epistêmico dominante – já que para a autora a prática envolve o processo de teorização. Entretanto, alguns negros ainda menosprezam a teoria e acreditam que a luta pode se dá sem a mesma. Por outro lado, intelectuais negros tentam superar a barreira do pensamento hegemônico para mostrar que as palavras servem para compreendermos a natureza da nossa situação e os meios pelos quais podemos engajar e transformar a nossa realidade. Nesse contexto, a feminista ressalta que, mesmo tentando subverter o sistema, não devemos tratar toda teoria dominante como inútil, pois essa atitude reacionária é similar ao que os brancos fazem quando rejeitam como teoria a produção intelectual dos grupos marginalizados.

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“a posse de um termo não dá existência a um processo ou prática; do mesmo modo, uma pessoa pode praticar a teorização sem jamais conhecer/possuir o termo (HOOKS, 1994, 86).”

A teoria como prática libertadora, pressupõe uma educação que não reproduz o status quo, que traz o pensamento crítico, reflexivo e desconstrutivo para a sala de aula. Mas para isso, se faz necessário reconhecer a diversidade teórica; e a diversidade teórica, nada mais é, do que as experiências de vida. Para a escritora, todas as pessoas levam algum conhecimento para a sala de aula e essa pluralidade deve ser respeitada e utilizada como metodologia pedagógica: Escambo de vivências (o professor não deve ser uma autoridade e deve participar da troca de conhecimento), debates abertos, descentralização de condutas e etc. Num contexto multicultural, os alunos devem ser convidados a conhecer a diversidade epistemológica num espaço criado pelo professor para incluir temas que tragam, por exemplo, consciência de raça, sexo e classe associando-as a disciplina oferecida. Uma educação que liberta e que não faz dos estudantes pessoas meramente passivas e engessadas, não apenas exige o despertar da criticidade acerca da sociedade que vivemos, mas também, a visibilidade dos não brancos, das mulheres, dos LGBT’s e dos marginalizados. Só com a “educação engajada” [3] conseguiremos visualizar como as relações de poder interferem na educação e desarticularemos a escola como um lugar opressão.

[1]HOOKS, Bell; A teoria como prática libertadora. In:_____ Ensinando a transgredir: a educação como prática da liberdade. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2013.  Cap.5, p.83-104.

[2] Feminista negra que reivindica sua pauta como mulher negra que sofre com o racismo e o machismo, mas acreditando que há uma intersecção entre diversas opressões: de gênero, orientação sexual, raça e classe social, não acreditando assim haver uma hierarquia entre elas.

[3] Uma educação que venha na direção oposta da ideologia mercantilista e dominante, que atenda as necessidades da população excluída dos direitos básicos da existência humana e que forme sujeitos críticos, conscientes e construtores de sua própria história.

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Angela Davis, Sojourner Truth (vida), o sexismo dos homens e o racismo das sufragistas

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Isabella Baumfree (1797 – 1883), nasceu em Ulster County, uma comunidade Holandesa em New York. Filha do casal de escravos James e Betsey e propriedade do coronel Johannes Hardenbergh, casou-se com o também escravo Thomas aos 18 anos tendo com ele 5 filhos (o primogênito faleceu ainda na infância). Estipula-se que em sua trajetória de vida ela tenha sido vendida para mais de quatro proprietários até conseguir fugir com sua filha recém-nascida Sophia em 1826. Deixando os outros filhos para trás, um ano depois de sua fuga, a Lei de emancipação do Estado de Nova Iorque foi aprovada porém, foram necessário mais 35 anos para que a abolição chegasse a todos os estados do País. Nessa época ela descobriu que o seu filho do meio Peter (5 anos) fora vendido ilegalmente como escravo e em 1828 a ex escrava foi brigar na justiça para recuperar seu filho se tornando a primeira mulher negra a ganhar um caso contra um homem branco.

A essa altura, Bella já se havia se tornado uma cristã devota devido aos aprendizados que tivera com Maria Van Wagenen – uma branca que, juntamente com seu marido, comprou os serviços da recém foragida, abrigando-a com sua filha. Estabelecendo-se em Nova York, ela trabalhou como doméstica para diversos evangélicos e, através do seu contato com a religião, aprendeu a ler e escrever, tornando-se uma grande estudiosa. Em 1839, Peter conseguiu um emprego em um navio baleeiro e quando o navio retornou ao porto em 1842 ele não estava e nunca mais fora visto.

Em 1843, ela mudou seu nome para Sojourner Truth me anunciou a todos que iria viajar como uma pregadora itinerante contra injustiças e a favor da abolição da escravatura. Ela acreditava ter recebido uma revelação de Deus e disse a todos: “O Espírito me chama”. E então seguiu ao Oeste com sua fé e força, interagindo com vários figuras importantes para a luta abolicionista e pelo direito das mulheres até se estabelecer por em Northampton, Massachusetts, onde ela comprou uma casa em Ohio e escreveu junto com Olive Gilbert a auto-biografia “Narrative of Sojourner Truth: A Northern Slave”. Transfigurando-se em uma personagem poderosa dos movimentos sociais americano, Truth teve a sua importância reconhecida por alguns abolicionistas influentes e, em 1851, saiu com George Thompson em turnê de palestras pelo Estado central e oeste de Nova York. É nesse momento que ela concebe o que Angela Davis (filósofa socialista e ativista contemporânea) descreve como “o mais frequente soglan do movimento de mulheres do séc XIX”: “Ain´t I a woman?” (Não sou eu mulher?) – o refrão do discurso pronunciado por Sojourner Truth nesse mesmo ano na convenção de mulheres em Akron, Ohio.

No livro “Mulher raça e Classe” (1981), Angela Davis resgata a passagem histórica da abolicionista na Convenção Nacional de Direitos das Mulheres (19 a 20 de julho de 1848), não somente reconhecendo a importância da afro-americana que mais tarde se tornaria um símbolo de inspiração para várias outras mulheres negras (inclusive, a própria Davis), mas também para introduzir a sua discussão entorno do sexismo dos homens e o racismo das sufragistas para com as ativistas de cor. Em um extenso trecho do terceiro capítulo intitulado como “Classe e raça no início da campanha dos direitos das mulheres”, ela descreve sobre o discurso poderoso de Truth e com algumas colocações:

“Sojourner Truth sozinha salvou a reunião de mulheres de Akron do escárnio dos homens hostis. De todas as mulheres assistindo à reunião,ela foi capaz sozinha de responder agressivamente aos rudes e provocadores argumentos da supremacia masculina. Possuindo um carisma inegável e uma habilidade poderosa de oralidade, Sojourner mandou abaixo a pretensão de que a fraqueza da mulher era incompatível com o sufrágio – e fê-lo com uma lógica irrefutável. O líder dos provocadores argumentou que era ridículo que as mulheres desejassem votar, quando não podiam sequer atravessar uma poça de água, ou entrar numa carruagem sem a ajuda de um homem. Sojourner Truth apontou para fora desse argumento com a simplicidade de que ela nunca foi ajudada a atravessar poças de água nem a entrar em carruagens “e não sou eu uma mulher?”. Com uma voz com um trovão ela disse “olhem para mim! Olhem para os meus braços” e enrolou as suas mangas para revelar os remendos músculos dos seus braços. “Eu lavrei, plantei, e ceifei para celeiros e nenhum homem podia ajudar-me! E não sou eu mulher? Podia trabalhar tanto e comer tanto como um homem – quando podia fazê-lo – e suportar o chicote também! E não sou eu mulher? Dei à luz treze crianças e vi a maior parte delas serem vendidas para a escravatura, e quando chorei a minha dor de mãe, ninguém senão jesus me ouviu! E não sou eu mulher?” Como a única mulher negra na assistência da convenção de Akron, Sojourner Truth fez o que nenhuma das suas tímidas irmãs brancas foi capaz de fazer.Naquele tempo, poucas mulheres se atreviam a falar numa reunião. Tendo poderosamente advogado a causa do seu sexo, chamando a atenção das mulheres brancas bem como os adversários masculinos, Sojourner Truth foi espontaneamente aplaudida como a heroína do dia. Ela não apenas derrotou o argumento masculino do “sexo fraco”, como também refutou a tese que a supremacia masculina era um princípio cristão, uma vez que cristo era um homem: “esse homem vestido de negro disse que as mulheres não podem ter os mesmos direitos que os homens porque cristo não foi uma mulher. De onde é que cristo veio?” De acordo com a presidente oficial “um trovão não teria silenciado essa multidão, como os profundos e maravilhosos tons em que ela ficou com os braços desnudados e os olhos em fogo.” “De onde veio o teu cristo? De deus e de uma mulher! O homem nada tem a ver com ele!” E quanto ao horrível pecado cometido por Eva, esse foi um difícil argumento contra as capacidades das mulheres. Pelo contrário foi uma enorme vantagem: “Se a primeira mulher que deus fez foi forte o suficiente para virar o mundo ao contrário sozinha, estas mulheres juntas são capazes de pô-lo no lado certo. E agora que estão a pedir para fazê-lo, é melhor os homens deixá-las fazê-lo”.

A truculência dos homens foi calada e as mulheres estavam a explodir de orgulho, os “seus corações batiam de gratidão” e “muitas com olhos marejados”. (…) O discurso de Sojourner Truth “Ain’t I a woman?” teve implicações mais profundas, porque foi também, pelo que parece, um comentário sobre as atitudes racistas das mesmas mulheres brancas que mais tarde louvaram a sua irmã negra. Não foram poucas as mulheres de Akron que inicialmente se opuseram a que as mulheres negras tivessem voz na sua convenção e aqueles que eram contra o direito das mulheres tentaram tirar proveito deste racismo. Nas palavras de Frances Dana Gage: “Os líderes do movimento tremeram quando viram uma mulher negra alta e magra vestida num vestido cinzento com um turbante branco, marchando deliberadamente para a igreja, caminhando com um ar de rainha, tomando lugar no púlpito. Um zumzum de desaprovação foi ouvido, e ouviu-se “um caso amoroso do abolicionismo!”, “eu disse-te!” “sai escura!”. No segundo dia da convenção, quando Sojourner quis responder ao assalto da supremacia masculina, as mulheres brancas líderes tentaram persuadir Gage para impedi-la de falar. “Não a deixe falar!’ Ela moveu-se devagar para a frente e virou os seus olhos falantes para mim. Havia um ruído de desaprovação. Eu corei e anunciei “Sojourner Truth” e pedi à audiência que mantivesse o silêncio por poucos momentos”.

Frances Dana Gage não sucumbiu à pressão racista das suas camaradas. Quando esta mulher negra discursou, a sua resposta à supremacia racista também continha uma profunda lição para as mulheres brancas. Repetindo a sua pergunta “E não sou eu mulher?” não menos de quatro vezes, ela expôs o preconceito de classe e racismo no novo movimento de mulheres. Nem todas as mulheres eram brancas e nem todas gozavam do conforto material da classe média e da burguesia. Sojourner era negra – era uma ex-escrava – mas não era menos mulher que as suas irmãs brancas da convenção. A sua raça e condição económica era diferente mas não anulava a sua natureza feminina. Como mulher negra ela exigia direitos iguais não menos legítimos do que os das mulheres brancas de classe média. Na convenção de mulheres dois anos mais tarde, ela lutou contra esforços para impedi-la de falar. “Eu sabia que era estranho ver uma mulher negra a levantar-se e a dizer-nos coisas sobre os direitos das mulheres. Fomos todas deitadas abaixo e ninguém pensou que nos poríamos de pé outra vez; mas já tínhamos seguido um longo caminho, estaríamos de pé novamente e agora eu estou aqui”. Durante toda a década de 1850 as convenções locais e nacionais atraíram crescentes números de mulheres para a campanha pela igualdade. Nunca foi uma ocorrência usual a comparência de Sojourner Truth nessas reuniões apesar da inevitável hostilidade. Representando as suas irmãs negras – escravas e livres – ela trouxe um espírito lutador à campanha dos direitos das mulheres. Este foi o contributo único e histórico de Sojourner Truth. E no caso das mulheres brancas esquecerem que as mulheres negras não são menos mulheres que elas, a sua presença e o seu discurso serviu de constante recordação. As mulheres negras também iam obter os seus direitos.”

O discurso de Sojourner Truth é colocado por Angela Davis como uma autentificação do pensamento interseccional que ela retrata no decorrer de sua obra. Uma tese que, na minha opinião, é muito bem colocada quando deixa evidente que não deve prevalecer uma opressão sobre outra e que as particularidades dos problemas sociais devem ser tradados com respeito e honestidade. As mulheres brancas sofrem com o patriarcado mas podem ser racistas e isso não ficou de fora do sufragismo. Enquanto as mulheres brancas lutavam pelo direito ao voto, a condições dignas de trabalho, ao direito de trabalhar (brancas burguesas), mulheres negras lutavam para serem consideradas pessoas. Inclusive, mais a frente, a escritora anunciará a reação contrária das mulheres brancas (algumas que outrora se diziam abolicionistas e até comparavam o confiamento do matrimônio com a escravidão dos negros) quando os negros conseguiram “emancipação” e elas não conseguiram o direito de votar.

(Memorial/Estátua Sojourner Truth – The African American Heritage)

Truth seguiu “pregando” pelos direitos humanos participando ativamente de conferências e audiências sobre escravatura, direito da mulher, sistema prisional, pena de morte e etc, colecionando vários outros discursos notáveis e estimulando outras mulheres negras a somar no ativismo abolicionista. Em 1850, ela publicou a auto biografia que escrevera em 1843. Em 1857, ela vendeu todos os seus bens e mudou-se para Battle Creek, Michigan, onde continuou defedendo seus ideais em conjunto com o núcleo dos abolicionistas e Progressistas.

Aos 65 anos, no início da Gurra Civil Americana (1861 – 1865), ela atuou recrutando tropas negras para o Exército da União. Em 1864, foi contratada pela National Freedman’s Relief Association (Associação Nacional de assistência aos Homens Libertados) em Washington, DC, onde trabalhou arduamente para melhorar as condições dos afro-americanos e em outubro do mesmo ano, ela conheceu o presidente Abraham Lincoln. Enquanto trabalhava em Washington, ela andava nos bondes para ajudar a forçar a desegragação e sempre que podia, viajava para pregar e dar palestras. Em 1870, ela lutou com o governo federal por concessões de terras para os ex escravos mas não teve sucesso. Em 1872, aos 75 anos, ela retornou para Battle Creek e tentou votar na eleição presidencial, mas foi rejeitada no local de votação. Permanecendo por lá por com sua filha e netos, e já debilitada pela idade e com dores no corpo, ela veio a falecer em casa, no College Street, em 26 de Novembro de 1883, aos 86 anos.

Mas é óbvio que a memória dela se mantém viva e presente. Afinal, o seu legado engrandece o nosso nome e o sobrenome do nosso povo resistente; de mulheres resistentes e guerreiras que, sem poder de escolha, já nascem lutando na tentativa de não sucumbir ao racimachismo.

(parque memorial Sojourner Truth – Battle Creek, Michigan)

Algumas referências culturais/celebrações

1981 – Truth é incluída no National Women’s Hall of Fame em Seneca Falls, New York.
1981 – Bell Hooks, teórica e autora feminista, intitula seu primeiro grande livro “Não sou uma mulher?”, homenageando o discurso de Truth.
1983 – Truth faz parte do primeiro grupo de mulheres a constar do Michigan Women’s Hall of Fame em Lansing.
1997– O robô da NASA, Mars Pathfinder, em sua missão espacial, recebeu o nome de “Sojourner”, em homenagem a ela.
1999 – O musical da Broadway, A Guerra Civil, inclui Sojourner Truth: Não sou uma mulher? Na gravação do espetáculo, em 1999, a intérprete foi Maya Angelou.
A Igreja Evangélica Luterana dos Estados Unidos comemora Sojourner Truth como uma renovadora da sociedade no dia 10 de março, com Harriet Tubman.
Ela é homenageada em um monumento dos “Marcos Legais de Michigan”, erigido pelo he State Bar of Michigan.
Juntamente com Elizabeth Cady Stanton, Amelia Bloomer e Harriet Ross Tubman, Sojourner Truth é homenageada no calendário de santos da Igreja Episcopal, no dia 20 de julho.
A Biblioteca da Universidade Estadual de Nova York, em New Paltz, recebe o nome de Sojourney Truth.
2009 – A primeira mulher negra a ser honrada com um busto na capital dos Estados Unidos

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(2009, Michelle Obama e Hillary Homenageiam Sojourner Truth com busto na Galeria da Emancipação do Capitólio na capital dos Estados Unidos)

Fontes

1. DAVIS, Angela_”Mulher raça e Classe_1981 [http://www.redehumanizasus.net/sites/default/files/blog/files/davis._mulher_raca_e_classe.pdf]
2. “Sojourner Truth page”. Narrativa of Sojourner Truth. http://digital.library.upenn.edu/women/truth/1850/1850.html.
3. http://www.geledes.org.br/sojourner-truth/#ixzz4B12meVqO
4. http://www.sojournertruth.org/Library/Archive/LegacyOfFaith.htm
5. http://www.ohiohistorycentral.org/w/Sojourner_Truth
6. https://en.wikipedia.org/wiki/Sojourner_Truth
7. http://www.geledes.org.br/sojourner-truth/